Antes de tudo, quero deixar claro que neste post espero não ter que ouvir respostas como “chora com a CBF”, “é oficial”, “sua opinião não vale de nada”, “não tem o que discutir”.
A este tipo de torcedores “manipulados”, que só tem respostas prontas e não raciocinam, ignorem as próximas linhas e nem percam seu tempo respondendo. O princípio deste post é debater a decisão da CBF em unificar os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. EU SEI QUE ESTES TÍTULOS SÃO OFICIAIS. EU SEI QUE A CBF UNIFICOU ESTES TÍTULOS COMO CAMPEONATO BRASILEIRO. Não estou aqui para debater se a CBF fez ou não fez. Estou aqui para debater se FOI CORRETA OU NÃO ESTA DECISÃO. E, por isso, vou apresentar meus argumentos contra a unificação destes títulos. E desejo que os torcedores que sejam a favor da unificação postem ARGUMENTOS de defesa, do porque concordarem com esta decisão, do porque de a acharem correta. E não meras respostas vazias como “é oficial, o choro é livre”.
O que quero com este post é te fazer refletir sobre esta decisão e possivelmente gerar um debate interessante sobre o tema. Afinal, temos opiniões distintas e é isso que alimenta bons debates. Antes que me ataquem de clubista, LEIAM, entendam meu ponto de vista e a partir daí, defendam o de vocês.
Tá certo? Então vamos lá!
A Taça Brasil foi o primeiro campeonato nacional regendo no futebol brasileiro e foi criada com o princípio de enviar nosso representante à Copa Libertadores. De 1959 até 1968, ela foi o principal torneio do Brasil e seu campeão era o melhor time do país. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi uma ampliação do extinto Torneio Rio-São Paulo, que na época tinha o mesmo nome oficial que a competição nacional. Existiu de 1967 a 1970.
Em 1971 criou-se o Campeonato Brasileiro, com o nome de Campeonato Nacional de Clubes. Desde então, houve diversas nomenclaturas, como Taça de Ouro e Copa Brasil. Porém, não é a nomenclatura que importa neste caso. Apesar de o campeonato ter nomes distintos, tratava-se do mesmo torneio.
Diferente do que ocorreu com a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. E é aí que eu quero chegar.
A TAÇA BRASIL E O TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA SÃO, INDISCUTIVELMENTE, CAMPEONATOS NACIONAIS OFICIAIS DE MUITA RELEVÂNCIA. Eram os principais torneios existentes na época e tinham princípios similares aos do Campeonato Brasileiro. MAS NÃO ERA A MESMA COMPETIÇÃO.
Não se trata de nomenclatura. Não se trata de fórmula de disputa. O Campeonato Brasileiro, desde 1971 teve milhares de nomes e fórmulas distintas. O Campeonato Brasileiro de 2003 nada tem a ver com o de 2002. Mas continua sendo o mesmo torneio. Quando criado, o Campeonato Brasileiro de 2003 era apenas mais uma edição da competição, só que com uma fórmula diferente. EM 1971 NÃO ERA APENAS MAIS UMA EDIÇÃO DO TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA. EM 1971 FOI CRIADA UMA NOVA COMPETIÇÃO, QUE SUBSTITUIA O TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA COMO PRINCIPAL NACIONAL DO PAÍS.
A TAÇA BRASIL É A TAÇA BRASIL. O TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA É O TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA E O CAMPEONATO BRASILEIRO (tendo como nome Copa Brasil ou Taça de Ouro) É O CAMPEONATO BRASILEIRO. São três competições diferentes que tinham o mesmo princípio e até mesmo pesos similares.
Porém, a unificação dos títulos não faz sentido. Não se resgata a história de uma competição unificando à outra. A unificação retira o real valor do torneio. A Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, após esta unificação, não são nada sendo eles mesmos. Os torcedores dos times que os conquistaram só dão o devido valor a estes torneios se estes forem “O Campeonato Brasileiro”. Quando o Bahia conquistou em 1959 a Taça Brasil, ele tinha o orgulho de ser o melhor time do Brasil, de ter sido o representante brasileiro na Copa Libertadores e porque ele tinha em sua sala de troféus A TAÇA BRASIL DE FUTEBOL. A COMPETIÇÃO TAÇA BRASIL era importante. E o mesmo vale para os campeões do Torneio Roberto Gomes Pedrosa.
O valor destas competições, quando conquistadas, estava no que elas realmente eram por si só, assim como é o time campeão brasileiro, que sente o orgulho de ter conquistado este título.
O campeão brasileiro de 2011 não está interessado se anos mais tarde outra competição nacional virá e irá substituí-lo. Ele é o campeão brasileiro e pronto. O Campeonato Brasileiro tem um puta valor e fim de papo. E não é porque daqui a 25 anos a CBF vai criar o Super Campeonato Nacional do Brasil, UMA OUTRA COMPETIÇÃO QUE SUBSTITUIRÁ O CAMPEONATO BRASILEIRO, que o campeão brasileiro deste ano não terá valido. Terá valido e muito. Mas o Corinthians continuará tendo X Campeonatos Brasileiros, considerando-se todos os seus títulos conquistados até lá e 0 Super Campeonatos Nacionais do Brasil, pois será uma outra competição, distinta, que ainda não teve edições, logo não terá como ainda ter sido campeão dela.
O Vasco, por exemplo, NÃO É BI-CAMPEÃO DA COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA. O Vasco conquistou o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, competição oficial, reconhecida pela CONMEBOL como PRECURSORA da Copa Libertadores. Era um outro torneio, que tinha o mesmo princípio e outras semelhanças (como número de participantes e critério de participação, por exemplo), MAS QUE NÃO ERA A MESMA COISA. É errado unificar estes títulos. Em 1960 não foi criada a segunda edição do Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões. Em 1960 foi criada A COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA, que tinha o nome de Copa Campeões da América.
Em 2002 foi criada a COPA SUL-AMERICANA e não apenas mais uma edição da extinta Copa Mercosul, assim como em 1998 esta foi criada SUBSTITUINDO e não sendo apenas mais uma edição da Supercopa Libertadores, extinta em 1997.
E nem por isso o Sul-Americano do Vasco, a Copa Mercosul ou a Supercopa perderam seu valor. Foram importantes competições e os torcedores dos times campeões valorizam estes torneios pelo que eles são. O Sul-Americano não precisa ser uma Libertadores para ser importante. A Supercopa ou a Mercosul não precisam ser a Sul-Americana para serem importantes. Cada um é importante por ser o que é. E isso é o certo.
EXCEÇÕES:
Unificação de títulos, segundo minha visão é errado. Porém há casos em que isto não se aplica e até se faz necessário. E foram os casos da Copa União em 1987 e da Copa João Havelange em 2000.
Não por causa do nome ou da fórmula de disputa, mas estes dois torneios não eram O CAMPEONATO BRASILEIRO. Porém, diferente dos casos já citados acima, a Copa União e a Copa João Havelange foram criados NO OBJETIVO DE SER O CAMPEONATO BRASILEIRO DAQUELES ANOS. Diferente dos casos da Taça Brasil e do Robertão, onde novas competições foram criadas por meras decisões políticas das federações, em 1987 e 2000 NÃO HAVERIA CAMPEONATO BRASILEIRO POR MOTIVOS DE FORÇA MAIOR. A CBF não tinha como realizar o campeonato naqueles anos e o Clube dos 13 criou estas competições NO INTUITO, NO OBJETIVO DE SER O CAMPEONATO BRASILEIRO DA EDIÇÃO DE 1987 E DA EDIÇÃO DE 2000. Já, desde suas criações, todos estavam cientes e de acordo com isso. E, com certeza, não fossem os motivos de força maior, nestes anos, ocorreria naturalmente o Campeonato Brasileiro, como todas as demais edições. Por isso, E SÓ POR ISSO, a unificação nestes casos se faz justa.
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