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Mostrando postagens com marcador Álvaro Ramos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Álvaro Ramos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Impacto econômico de grandes eventos

Muito se fala sobre impacto econômico em competições esportivas pelo mundo afora; e depois que o Rio de Janeiro foi eleito como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2016, diversos estudos foram e estão sendo feitos acerca deste tema. Mas o que realmente nos diz um estudo de impacto econômico?

O impacto econômico demonstra que, com certa quantia gasta em determinados segmentos produtivos a repercussão financeira será de X em determnados setores da sociedade. Com isso, é possível estimar o quanto que o governo brasileiro, maior investidor de recursos financeiros para a Copa 2014, vai recuperar ao longo dos anos. Também é importante lembrar que alguns dos investimentos para um evento dessa magnitude já estavam programados ou pensados, mas são antecipados a fim de realizar o melhor evento possível.

Tomemos por exemplo o estudo de impacto econômico feito pelo Ministério do Esporte brasileiro e apresentado em 23 de abril de 2010 pelo então Ministro, o Sr. Orlando Silva. Segundo o estudo, seria investido diretamente no Brasil para a realização da competição a quantia de R$ 47,5 bilhões em infraestrutura, turismo e consumo e o impacto econômico indireto chegaria aos R$ 135,7 bilhões.

O impacto direto é resultado do desdobramento dos investimentos das intervenções e do número de turistas que virão ao evento. Os setores avaliados foram:

· Estádios

· Aeroportos

· Mobilidade

· Portos

· Saúde

· Hotelaria

· TI

· Segurança

· Turismo nacional e internacional

O impacto indireto é resultado da “recirculação” do dinheiro na economia e calculado pelos efeitos multiplicadores atribuídos para cada macro setor (infraestrutura, consumo, turismo, etc.).

Neste mesmo estudo foi calculado que 78% do total dos investimentos em infraestrutura, ou R$ 25,8 bilhões, para a Copa 2014 serão efetuados pelo setor público. Mas, até 2014 o Governo Federal arrecadaria R$ 17 bilhões, perfazendo 66% dos gastos governamentais. Destaco ainda esta relação apresentada no estudo: 15 novos empregos para cada R$ 1 milhão de impacto direto.

Para organizar a Copa do Mundo 2014 alguns benefícios são tangíveis e mensuráveis, como o aumento do consumo das famílias que tiveram receitas adicionais a partir do evento, impactos gerados pelos visitantes que estarão no Brasil e principalmente os relacionados com as despesas para a realização do evento. Os benefícios intangíveis são relativo à marca Brasil, influenciando principalmente o turismo, mas repercutindo em outras áreas também.

Mesmo com o estudo de impacto sendo positivo, gerando emprego, demonstrando que o investimento do governo é aceitável, já que recuperará a maior parte em impostos criados pelas atividades derivadas do esforço de organizar o evento, quer dizer que será um bom negócio?

Não, claro que não. O que importa é a administração e acompanhamento dos recursos pelo tempo da organização. Certamente o cenário do estudo foi um diferente do atual em que estamos. Já temos outra realidade. A Lei da Copa foi aprovada de maneira diferente do que se pressupunha na época do estudo. Alguns estádios pararam obras e somente por isso já custam mais do que o orçado. Muitas coisas estão diferentes do planejado, infelizmente. Isso inviabiliza um estudo de impacto econômico? Não, mas o seu acompanhamento e modificações pertinentes a cada mudança de cenário é tão importante quanto o estudo em si e, para isso, creio que o Brasil ainda não está preparado. Não vejo o Ministério do Trabalho, envolvido em tantos processos e acusações, com capacidade para fazer esse acompanhamento, gerir os recursos, reordenar os processos, redefinir ações e encaminhar a Copa para o que foi planejado no estudo.

Esse é um problema crônico brasileiro: sabemos o que temos que fazer, o tempo que temos que fazer, os recursos que vamos utilizar, que pessoas vamos envolver, mas, por algum mistério, deixamos para tomar as decisões no último instante; preferimos ir com calma no início e correr ao final, já que no fim, “tudo dará certo”.

Abraço,

Álvaro Ramos Prange

@ramos_alvaro

sábado, 3 de dezembro de 2011

Não ao jeito brasileiro

Saudações a todos! Cada vez mais estamos respirando ares de Copa do Mundo no Brasil. Estamos entrando em 2012 e parece que vários projetos que levaram o Brasil a ser escolhido como Sede estão com o cronograma ajustado para que estejam prontos antes da competição. Esta semana o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, mandou um recado aos que acham que o Brasil não tem que se sujeitar a todas as imposições da entidade suíça para a realização do evento. Jerome Valcke comentou o seguinte (não literal): A FIFA não deu a Copa ao Brasil, foi o Brasil quem se candidatou, fez seus projetos, prometeu uma estrutura “x” e assim tem que ser.


Nas pleuras!


Algumas pessoas quando opinam acham que o Brasil também não precisa fazer tudo que a FIFA está pedindo, dizendo que são muitas as exigências e inclusive que algumas seriam desnecessárias, que não se aplicariam ao Brasil. Pode ser verdade, pode ser que as exigências sejam demasiadas, que nem tudo aquilo do caderno de encargos seja primordial para a Copa. Mas o ponto em questão é que foi prometido à FIFA uma estrutura tal que fez o Brasil ter a chance de organizar a Copa. Não fosse nada prometido o País sede da Copa do Mundo de 2014 seria outro.


Candidatura aprovada, Copa marcada, mãos à obra! Nossos políticos deveriam observar todos os itens do projeto apresentado, elencar as prioridades e executar as obras. Parece fácil, não? Pois no Brasil não está sendo e certamente todo o prometido não será entregue. E muito provavelmente o que for entregue será em um custo superior ao orçado. Faltando 31 meses para a Copa não temos nenhuma obra de infraestrutura pronta ou quase lá. Os aeroportos são umas rodoviárias melhoradas e com o crescimento econômico veio o aumento do turismo interno, aumento do turismo externo, aumento de congressos internacionais no Brasil entre outros e, achar um hotel no Rio de Janeiro, por exemplo, é uma tarefa difícil.


Realizar um evento de classe mundial sempre deixa consequências, sejam elas boas ou ruins. O País que ganhou a disputa para promover o mundial deve entender isto como uma possibilidade de atrair investimentos, pessoas, cultura, e tudo mais que puder para melhorar o bem estar de quem vive no País. Quando o Brasil ganhou a candidatura era isso que escutávamos, das possibilidades que se abririam com a Copa. Agora, após alguns anos do anúncio a conversa é a da necessidade de fazer tudo. Pelo andar dos acontecimentos, mais um ano e meio e tentarão acusar a FIFA de ser muito exigente, de estar atrapalhando as obras. O mundial no Brasil está se encaminhando mais para ser parecido com a Copa da África, que foi boa, mas deixou a desejar em diversos pontos, principalmente do lado de fora dos estádios, e gastando muito mais que os africanos do que para a Copa da Alemanha, onde ainda hoje toda a estrutura é aproveitada e os custos das obras de estádios e infraestrutura foram mais aceitáveis.


Importante frisar: o Brasil não está fazendo um favor a ninguém em organizar o mundial de futebol, muito pelo contrário. Organizar a Copa é uma oportunidade que pelo excelente projeto apresentado foi-nos dada. Não temos que nos queixar de ninguém e sim cumprir com o que prometemos ao entregar o projeto à FIFA. Ou corremos o risco de mais uma vez sermos o país do jeitinho, o país que vai resolver tudo à última hora, da sua maneira, não importando o custo financeiro e nem se ficará algum legado à sua população.


Abraços,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Por que Barcelona e Real?

Fazia algum tempo já que dois clubes de um mesmo país não dominavam o favoritismo em competições europeias como hoje dominam o Barcelona e o Real Madri. Mas por que chegaram a esta situação?


Na época em que o Real Madri montou a sua primeira equipe chamada de “galácticos”, com a contratação de Figo do arquirrival Barcelona em 2000, Zidane em 2001, Ronaldo em 2002 e Beckham em 2003, ganhou duas ligas espanholas, duas supercopas da Espanha, uma supercopa da Europa, uma Champions e um Mundial de clubes. Todo o dinheiro do Real Madri veio da venda de terrenos do clube para a prefeitura da cidade fazer um complexo de prédios, em uma transação muito discutida pela imprensa local. O Barcelona não contratou por atacado, mas trouxe Ronaldinho Gaúcho como símbolo do futebol que gostaria de apresentar e também começou a obter resultados mais significativos e ainda colhe frutos daquele projeto iniciado em julho de 2003.


O fato é que ambos se beneficiaram da chamada “Lei Beckham”, onde qualquer estrangeiro que ganhasse mais do que 120mil euros pagaria menos impostos (24%) do que um espanhol (43% à época) e também em relação ao “primeiro mundo do futebol”. Logo, se um clube estivesse disposto a gastar 5 milhões de euros em um jogador, o valor líquido que o atleta estrangeiro receberia seria maior na Espanha do que nos outros países, facilitando a contratação já que os grandes contratos são negociados por valores livres de impostos.


Depois de um tempo essa Lei foi modificada e a contabilização dos direitos de imagem dos jogadores teve de ser modificada para que não houvesse tamanha distorção. Mas como manter os dois principais clubes do país no auge da Europa? Fácil, aumentando o bolo da divisão de receita da cota de televisão e aumentando também a participação neste bolo dos dois grandes! Essa concentração de riqueza, aonde aproximadamente 50% dos direitos do campeonato vão para a dupla, gera desigualdades? Claro! Isso importa para a Espanha? Nem tanto.


O que mais vale para a Espanha como país e para a federação de futebol, é que sempre tenha algum representante na luta pelos principais títulos do mundo. Isso gera prestígio, comercialização de produtos, de serviços e outros e, portanto, impostos ao governo e atração de turistas. Vale lembrar que a Espanha é o 4º país do mundo que mais recebe turistas e o 3º país do mundo com maior gasto dos turistas. Também é importante ressaltar que o turismo esportivo é responsável por 10% do turismo mundial.


O Getafe está reclamando? A torcida do Granada está desgostosa com a divisão de recursos de TV? O Alicante não encontra um sheik qualquer para que possa oferecer o clube? Nada disso importa ao alto escalão do futebol espanhol enquanto o Barcelona for o queridinho do futebol mundial e o Real for apontado como um dos poucos clubes que podem fazer frente a ele. Ou até que venha a quebra generalizada dos clubes de futebol espanhóis, que está próxima, já que mais de 20 clubes de futebol na Espanha aderiram à “Lei Concursal”.


Abraço,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Por uma Champions League maior

Saudações a todos! Esta semana o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, comentou algo muito interessante em uma entrevista para a Al Jazeera: tinha a intenção de levar a cabo um projeto para dobrar o número de clubes participantes na Champions League, diminuindo o número de participantes nos campeonatos nacionais.


Seria uma solução para os campeonatos nacionais da Europa, que sofrem por não terem muitos postulantes ao título. Na Espanha, Portugal, Itália e Inglaterra, normalmente o campeonato é decidido entre os mesmos grandes clubes. Na França e Alemanha às vezes aparece algum outro clube, mas também não foge muito a regra. Não existe nada parecido com o Campeonato Brasileiro, em que os favoritos ao início da competição são uns e quem ganha pode ser outra equipe. Vale lembrar que antes do Brasileirão ser um campeonato de pontos corridos, nenhuma final se repetiu. Fantástico!


Mas além da competitividade, qual o outro motivo? O de sempre, dinheiro. Um jogo contra um rival fraco na Liga Espanhola rende muito pouco para o Barcelona em relação a um jogo contra um adversário fraco da Champions. São proporções diferentes. Fora a análise de mercado. Na Espanha o Barcelona já possui seu público, seus torcedores. E pode atrair mais simpatizantes, vender mais camisetas, seus patrocinadores fazerem mais negócios, quando vão além-fronteiras, em alguns países em que é raro ver um Xavi, Iniesta, Fabregas, sem comentar Messi.


A ideia não é nova. Aliás, já foi posta em prática com sucesso na Europa pelo basquete, que criou a Euroleague, enfraquecendo seus campeonatos nacionais. O resultado foi excelente, criando um campeonato forte que atrai multidões e é comercialmente viável.


O que ganhariam os clubes médios e menores com isso segundo Rosell? Os médios poderão sonhar em disputar o principal torneio de clubes do mundo. Um Aston Villa, Rayo Valecano, Mallorca, Chievo, Atalanta, entre outros poderiam participar com muito mais frequência da Champions. Já para os clubes pequenos o argumento é claro: menos clubes, mais dinheiro da cota de televisão entrando no caixa.


O que vocês acham? Seria uma alternativa para que os clubes europeus continuassem com receitas crescentes e afastassem uma possibilidade de aumentar a crise em que alguns já estão?


Abraço,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O negócio Neymar

Saudações a todos!


Nessa semana tivemos uma notícia muito interessante no futebol brasileiro: a permanência de Neymar no Santos até 2014. Li algumas opiniões sobre o assunto, a maioria elogiando o jogador, sua vontade de fazer história no Santos, que não é deslumbrado como alguns meios sugerem, etc, etc, etc. Mas li um tweet que me intrigou. O tweet era de @Amarilson_Gordiano e ele perguntava “Qual o real motivo de Neymar ficar no Brasil até 2014?”. Essa é a questão que gostaria de abordar hoje!



Vamos por partes, já que a questão a ser discutida é longa. Não jogar na Europa traz dois impactos diretos na carreira do jogador:
1. não vai ser considerado o melhor do mundo.
2. realmente pode escrever seu nome num grande clube nacional, ser lembrado para sempre, ser ídolo eterno de uma torcida!


Esses dois fatores atingem o ego do jogador. Ficando, sua tarefa é mais simples do que saindo... Ser o melhor do mundo requer além de futebol, fazer seu time campeão e adaptar-se a uma vida muito diferente da vivida em Santos.


Outro ponto a ser discutido é o fator econômico da decisão. Não o fator econômico do atleta, mas das empresas que o patrocinam e das novas parceiras do atacante. Para esta análise vamos imaginar que somos CEO de uma multinacional que possui uns 10 milhões de euros para investir. Sua escolha seria entre:


- um país que faz parte de um continente unido por uma moeda que está se desvalorizando, que possui zonas conturbadas em relação a saúde financeira, outras regiões que não sabe-se ao certo que rumo tomarão nos próximos anos, com desemprego relativamente alto e taxa de crescimento baixo;


- ou num país que possui muito problemas, isso é certo, mas que está crescendo bem, com economia relativamente forte, moeda fortalecida, e um grande número de pessoas consumindo produtos da tua empresa pela primeira vez? Alie a tudo isso o fato de que a próxima Copa do Mundo e logo após ela os Jogos Olímpicos serão neste País.


Com esses dois quadros, não resta muitas dúvidas, correto?


Sendo rápido na descrição de um aspecto econômico, analisamos que se o Real, ao longo dos anos, vier efetivamente confirmar as previsões de valorização, logo o retorno de capital das multinacionais no país teria um efeito multiplicador. Exemplificando com números:

- 10 milhões de euros x 2,5 da taxa de conversão cambial são 25 milhões de reais.

- Se a empresa fizer bem o trabalho de imagem com o jogador e começar a colher os frutos no ano 1 e enviar para a Matriz no exterior 10 milhões de reais teremos:

- R$ 10 milhões divididos 2,1 da taxa cambial daqui a um ano: 4.761.904,76 euros.

- Logo, estamos enviando ao exterior somente 40% do valor aportado em reais, mas que representam 47,62% do valor em euros. Sem dúvida, um senhor investimento.

- Se no ano 2 a empresa enviar para a Matriz no exterior mais R$ 10 milhões e a tendência continuar, dividiríamos por 1,8, totalizando: 5.555.555,56 euros.

- Logo, com 80% do valor em reais devolvidos, já teríamos “sobrando” 317.460,32 euros!!!



Tá, mas e se a empresa que somos CEO for nacional? O cálculo é o mesmo, já que o comércio está tão ou mais interligado que o futebol! A exposição da marca que aliar-se ao jogador terá repercussão internacional, normalmente em medida maior do que o futebol do sujeito devido aos outros patrocinadores (sim, normalmente eles se complementam), videogames, coletivas, vida social, etc!!


Esta combinação de fatores econômicos internos + os fatores econômicos externos + os dois maiores eventos esportivos mundiais sendo realizados no Brasil faz o cenário perfeito para que, ao contrário de épocas anteriores, os recursos direcionados para o Brasil sejam para iniciar projetos de médio prazo, mudando a cara do futebol nacional, fortalecendo o campeonato e aumentando a diferença já existente entre o Brasil e outros países sul-americanos. É uma janela de oportunidade que alguns clubes aproveitarão e outros não. Sim, provavelmente nas próximas 10 Libertadores pelo menos algum time brasileiro estará nas finais a cada ano.


A Europa deixará de contratar jogadores? Não, claro que não. Mas, pelo menos para os craques e neste período, é possível manter atletas de alto nível no Brasil e obtendo retorno do investimento.


Abraço,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Curiosidade sobre o argentino Lionel Messi

Saudações a todos!

Pois hoje vou comentar algo que vi poucas vezes alguém falando e menos ainda escrito. A transição de Messi como jogador de lado de campo, entrando em diagonal para o atual falso 9 em que joga. Não entrarei no mérito se é o melhor do mundo, se é o melhor de todos os tempos, etc. Quem sabe em outro post.

Messi sempre foi um jogador incrível, com grande habilidade, senso de coletividade e também um atacante que incomoda a saída de bola adversária. Mas nem tudo era perfeito para o craque argentino: ele sofria muito com as lesões. O sofrimento era tanto que, antes dessa mudança de posição, os jornais espanhóis buscavam explicações para as seguidas lesões. Chegou-se a cogitar que seriam os hormônios do crescimento, tratamento que o jogador foi submetido devido ao seu problema hormonal.

A mudança desta situação não aconteceu em Barcelona e sim em Madri, mais precisamente no dia 02 de maio de 2009, no Santiago Bernabéu. Esta foi o primeiro jogo em que Messi atuou como falso 9 e por coincidência ou não, o Barcelona humilhou o rival com seis gols contra dois da equipe Merengue.

De lá para cá, os números de Messi não param de crescer. Quando atuava pelas laterais, marcava um gol a cada 142 minutos. Agora registra a média de um gol a cada 86 minutos. Com esta mudança de posição precisa de menos esforço: corre cerca de 15% menos em relação ao tempo em que atuava pelos lados. Menos esforço, mais gols, combinação perfeita para seu clube e um achado de seu atual treinador, Pep Guardiola.


Abraço,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O mito do planejamento

Saudações a todos! Hoje vou falar de um tema que muitos não gostam: planejamento. E acho que muitos não gostam do assunto por que o planejamento é tratado pela maioria das pessoas como algo de difícil compreensão e execução, algo em que somente um grupo de pensadores diferenciados em relação à média poderia ser capaz de levar a cabo.


Vamos analisar um pouco esta complexidade do planejamento com um exemplo: dois alunos, colegas no curso de violão do SESC de alguma cidade no interior do Estado de Minas Gerais. O Renan e o Fábio. Um deles, o Renan, estuda com o objetivo de ser uma estrela da música pop, como Lady Gaga, mas puxando para algo meio cult. O outro, Fábio, estuda para tocar em festinhas de amigos e ficar com o maior número possível de meninas. Em comum eles têm apenas o professor. Eles não têm aulas juntos, não vão a esta escola de música nos mesmos dias, vivem em bairros diferentes, um é mais abastado o outro mais esforçado e intelectualizado, frequentam lugares diferentes da cidade e os círculos de amizade não coincidem.


O primeiro, por ter uma meta mais complexa, é muito mais esmerado, procura compreender os arranjos, partituras, a relação das escalas, etc. Escuta com atenção os mais variados tipos de música, percebendo suas diferenças, a sensibilidade que cada uma requer, suas nuances. O segundo pensa em compreender melhor a parte técnica e de velocidade, arranhando solos e novas formas de tocar a música que já é sucesso.


Os anos passam e o SESC, com seu sistema de banco de dados, procura saber onde estão os alunos que fizeram 10 anos de formados das classes de violão. Entre os alunos estão nossos dois amigos do texto. O professor lembra-se de ambos e numa conversa no bar da planta baixa da nova sede do SESC comenta:


- Aposto que o Renan está tocando em festas de partidos políticos e grandes eventos e que o Fábio está tocando para suas 3 filhas dormirem tranquilas.


Depois desta frase a curiosidade sobre os alunos de violão do passado aumenta exponencialmente. Todos acessam o Google para verificar o paradeiro dos dois. Emails de contato retornam, Facebook e Twitter são armas nessa incansável busca aos “desaparecidos”. São famosos? Conseguiram seus objetivos? Estarão felizes? Até que uma aluna, escutando uma das tantas conversas dos funcionários da escola solta à bomba:


- Eu conheço esses dois. Eram alunos daqui é? Que legal, vou postar no meu Flickr.


Os funcionários se entreolham, a curiosidade toma conta. Perguntas e mais perguntas são feitas à menina: como os conhece? Onde estão? Estão juntos? Vivem de música?


- Claro, todos que viajam os conhecem. Vivem em Cannes e ganham a vida como uma dupla de músicos/djs que mistura ritmos brasileiros com peças clássicas e tocam nas maiores raves do sul da Europa!! São incríveis.


Para mim isso é planejamento.


Planejamento não é saber todo o caminho a trilhar, nem ter a segurança de que se passará pela fase x, y ou z. Planejamento é muito mais do que um clube idealizar que vai ganhar o campeonato brasileiro do ano 2015 e determinar uma série de ações para atingir este objetivo.


Planejamento é primeiramente se conhecer. Buscar o que temos de pontos positivos, o que nos motiva a fazer as coisas, saber sua essência. (Renan e Fábio sabiam seus pontos positivos) Depois vem o conhecimento do meio em que estamos inseridos, as expectativas que este meio possui em relação ao clube e se há algo que se possa complementar. (Os dois entenderam que no mercado da música os dois sozinhos não fariam sucesso) O passo seguinte seria analisar o que fazer para catalisar as vantagens e minar as desvantagens. E por fim, confiar nos seus bons instintos, não deixando seus valores de lado e desenvolvendo uma série de ações para obter um diferencial em relação aos concorrentes, com o objetivo de ser o melhor dentro das suas características.


Assim são os clubes de futebol: eles têm de saber suas origens, quem representam, o desejo de seus torcedores, o que os sócios buscam ao pagar mensalidades, saber seus diferenciais e o porquê de os jogadores terem interesse em atuar na Instituição. Depois, traçar ações que sejam consoantes com tudo isso, buscando maior participação em mercados que sejam interessantes e afins aos ideais do clube, não se esquecendo de melhorar sua estrutura e que ela está a serviço do clube para atingir seus objetivos. Clube de futebol tem que ter IDENTIDADE.

Abraço,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O futebol é sorte?

Saudações a todos! Este é meu primeiro texto no Olhar Esportivo e tentarei falar de assuntos ligados à gestão e economia esportiva, contrastando as diferenças entre Europa e Brasil, principalmente. Este não é um assunto que agrada a todos, mas vamos buscar uma linguagem acessível e que possibilite interatuar com nossos leitores.

Começo com uma pergunta que devemos fazer: o futebol é sorte? O que vocês acham? Refiro-me não a um lance, a uma partida, mas a um período de êxitos ou não êxitos de uma equipe.

( ) sorte

( ) não sorte

Certamente um pênalti em uma final de campeonato tem algo a ver com o imponderável, com a sorte mesmo. Mas não exclusivamente com isto. Não é uma loteria. Tomemos dois exemplos:

1. Brasil x França, Copa do Mundo de 1986: Pênalti para a seleção canarinha faltando pouco mais de 15 minutos para o final da partida. Zico acabara de entrar e tinha tocado na bola apenas uma vez. Ele chama a responsabilidade, que é o que se espera do craque do time, e pede para cobrar a penalidade. Neste momento, você como gestor da equipe (chamamos de técnico ou treinador), escalaria alguém que estava voltando de lesão, frio no jogo, que ainda não sentiu o campo, a bola, o goleiro adversário mesmo tendo excelentes opções na equipe como Careca, Edinho ou Sócrates para a cobrança da penalidade?

2. John Terry na final da Champions League 2007/2008: Manchester United x Chelsea. A partida acaba empatada em 1 a 1. Na última penalidade para o Manchester United o português Cristiano Ronaldo falha e não converte. Agora é somente o zagueiro e capitão do Chelsea fazer o último pênalti que os Blues ganhariam sua primeira “orelhuda” (como chamam o troféu da Champions na Espanha). Você como gestor, colocaria o único jogador que passou pelas categorias de base do Chelsea, capitão da equipe, o que leva maior carga emocional por esses fatos a bater o último pênalti? Ou o escalaria para bater o primeiro pênalti e deixaria o último para um especialista, como Drogba?

Essas decisões foram tomadas no terreno de jogo, certo? Se a resposta foi afirmativa, os gestores foram negligentes com a torcida, com o clube e com seus comandados. Pouquíssimas situações de jogo podem ser “surpresa” para um comandante. Se o clube vai para uma decisão de campeonato que pode ser decidido nos 11 metros, além dos atletas treinarem cobranças exaustivamente, a comissão técnica tem que criar, pensar, prever, intuir, treinar as alternativas possíveis para esta situação provável. Há treinadores, muito poucos, que lá de vez em quando fazem treinamentos táticos de 11 contra dez jogadores para que, quando a equipe adversária tenha um jogado expulso, os jogadores saibam o que fazer e tenham treinado o que fazer (que são coisas diferentes). O nome disso é planejamento estratégico. Algo que escutamos muito em entrevistas de dirigentes, mas que poucos aplicam na prática.

E para um clube, o que se deve levar em consideração para o planejamento estratégico? O que priorizar? Qual o limite de gastos para o grupo de jogadores? Priorizo campanha de sócios (estratégia a médio/longo prazo) ou subsidio de ingressos para lotar estádio agora (estratégia de curto prazo)? Os recursos (tempo, pessoas, dinheiro) são finitos, limitados. Como gerir? Bom, algo disso nos próximos posts.

Abraço,

Álvaro Ramos Prange

@ramos_alvaro

OBS: O que lemos serve de inspiração para nossas ideias. O assunto e exemplo do pênalti do Terry, tirei do livro "A Bola Não Entra Por Azar", de Ferran Soriano. O exemplo do Zico, certamente não estava no livro. O restante do texto também não, é uma extrapolação sobre o mesmo assunto, um desenvolvimento que fiz e sugeri para debate.