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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O mito do planejamento

Saudações a todos! Hoje vou falar de um tema que muitos não gostam: planejamento. E acho que muitos não gostam do assunto por que o planejamento é tratado pela maioria das pessoas como algo de difícil compreensão e execução, algo em que somente um grupo de pensadores diferenciados em relação à média poderia ser capaz de levar a cabo.


Vamos analisar um pouco esta complexidade do planejamento com um exemplo: dois alunos, colegas no curso de violão do SESC de alguma cidade no interior do Estado de Minas Gerais. O Renan e o Fábio. Um deles, o Renan, estuda com o objetivo de ser uma estrela da música pop, como Lady Gaga, mas puxando para algo meio cult. O outro, Fábio, estuda para tocar em festinhas de amigos e ficar com o maior número possível de meninas. Em comum eles têm apenas o professor. Eles não têm aulas juntos, não vão a esta escola de música nos mesmos dias, vivem em bairros diferentes, um é mais abastado o outro mais esforçado e intelectualizado, frequentam lugares diferentes da cidade e os círculos de amizade não coincidem.


O primeiro, por ter uma meta mais complexa, é muito mais esmerado, procura compreender os arranjos, partituras, a relação das escalas, etc. Escuta com atenção os mais variados tipos de música, percebendo suas diferenças, a sensibilidade que cada uma requer, suas nuances. O segundo pensa em compreender melhor a parte técnica e de velocidade, arranhando solos e novas formas de tocar a música que já é sucesso.


Os anos passam e o SESC, com seu sistema de banco de dados, procura saber onde estão os alunos que fizeram 10 anos de formados das classes de violão. Entre os alunos estão nossos dois amigos do texto. O professor lembra-se de ambos e numa conversa no bar da planta baixa da nova sede do SESC comenta:


- Aposto que o Renan está tocando em festas de partidos políticos e grandes eventos e que o Fábio está tocando para suas 3 filhas dormirem tranquilas.


Depois desta frase a curiosidade sobre os alunos de violão do passado aumenta exponencialmente. Todos acessam o Google para verificar o paradeiro dos dois. Emails de contato retornam, Facebook e Twitter são armas nessa incansável busca aos “desaparecidos”. São famosos? Conseguiram seus objetivos? Estarão felizes? Até que uma aluna, escutando uma das tantas conversas dos funcionários da escola solta à bomba:


- Eu conheço esses dois. Eram alunos daqui é? Que legal, vou postar no meu Flickr.


Os funcionários se entreolham, a curiosidade toma conta. Perguntas e mais perguntas são feitas à menina: como os conhece? Onde estão? Estão juntos? Vivem de música?


- Claro, todos que viajam os conhecem. Vivem em Cannes e ganham a vida como uma dupla de músicos/djs que mistura ritmos brasileiros com peças clássicas e tocam nas maiores raves do sul da Europa!! São incríveis.


Para mim isso é planejamento.


Planejamento não é saber todo o caminho a trilhar, nem ter a segurança de que se passará pela fase x, y ou z. Planejamento é muito mais do que um clube idealizar que vai ganhar o campeonato brasileiro do ano 2015 e determinar uma série de ações para atingir este objetivo.


Planejamento é primeiramente se conhecer. Buscar o que temos de pontos positivos, o que nos motiva a fazer as coisas, saber sua essência. (Renan e Fábio sabiam seus pontos positivos) Depois vem o conhecimento do meio em que estamos inseridos, as expectativas que este meio possui em relação ao clube e se há algo que se possa complementar. (Os dois entenderam que no mercado da música os dois sozinhos não fariam sucesso) O passo seguinte seria analisar o que fazer para catalisar as vantagens e minar as desvantagens. E por fim, confiar nos seus bons instintos, não deixando seus valores de lado e desenvolvendo uma série de ações para obter um diferencial em relação aos concorrentes, com o objetivo de ser o melhor dentro das suas características.


Assim são os clubes de futebol: eles têm de saber suas origens, quem representam, o desejo de seus torcedores, o que os sócios buscam ao pagar mensalidades, saber seus diferenciais e o porquê de os jogadores terem interesse em atuar na Instituição. Depois, traçar ações que sejam consoantes com tudo isso, buscando maior participação em mercados que sejam interessantes e afins aos ideais do clube, não se esquecendo de melhorar sua estrutura e que ela está a serviço do clube para atingir seus objetivos. Clube de futebol tem que ter IDENTIDADE.

Abraço,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


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