Saudações a todos!
Nessa semana tivemos uma notícia muito interessante no futebol brasileiro: a permanência de Neymar no Santos até 2014. Li algumas opiniões sobre o assunto, a maioria elogiando o jogador, sua vontade de fazer história no Santos, que não é deslumbrado como alguns meios sugerem, etc, etc, etc. Mas li um tweet que me intrigou. O tweet era de @Amarilson_Gordiano e ele perguntava “Qual o real motivo de Neymar ficar no Brasil até 2014?”. Essa é a questão que gostaria de abordar hoje!
Vamos por partes, já que a questão a ser discutida é longa. Não jogar na Europa traz dois impactos diretos na carreira do jogador:
1. não vai ser considerado o melhor do mundo.
2. realmente pode escrever seu nome num grande clube nacional, ser lembrado para sempre, ser ídolo eterno de uma torcida!
Esses dois fatores atingem o ego do jogador. Ficando, sua tarefa é mais simples do que saindo... Ser o melhor do mundo requer além de futebol, fazer seu time campeão e adaptar-se a uma vida muito diferente da vivida em Santos.
Outro ponto a ser discutido é o fator econômico da decisão. Não o fator econômico do atleta, mas das empresas que o patrocinam e das novas parceiras do atacante. Para esta análise vamos imaginar que somos CEO de uma multinacional que possui uns 10 milhões de euros para investir. Sua escolha seria entre:
- um país que faz parte de um continente unido por uma moeda que está se desvalorizando, que possui zonas conturbadas em relação a saúde financeira, outras regiões que não sabe-se ao certo que rumo tomarão nos próximos anos, com desemprego relativamente alto e taxa de crescimento baixo;
- ou num país que possui muito problemas, isso é certo, mas que está crescendo bem, com economia relativamente forte, moeda fortalecida, e um grande número de pessoas consumindo produtos da tua empresa pela primeira vez? Alie a tudo isso o fato de que a próxima Copa do Mundo e logo após ela os Jogos Olímpicos serão neste País.
Com esses dois quadros, não resta muitas dúvidas, correto?
Sendo rápido na descrição de um aspecto econômico, analisamos que se o Real, ao longo dos anos, vier efetivamente confirmar as previsões de valorização, logo o retorno de capital das multinacionais no país teria um efeito multiplicador. Exemplificando com números:
- 10 milhões de euros x 2,5 da taxa de conversão cambial são 25 milhões de reais.
- Se a empresa fizer bem o trabalho de imagem com o jogador e começar a colher os frutos no ano 1 e enviar para a Matriz no exterior 10 milhões de reais teremos:
- R$ 10 milhões divididos 2,1 da taxa cambial daqui a um ano: 4.761.904,76 euros.
- Logo, estamos enviando ao exterior somente 40% do valor aportado em reais, mas que representam 47,62% do valor em euros. Sem dúvida, um senhor investimento.
- Se no ano 2 a empresa enviar para a Matriz no exterior mais R$ 10 milhões e a tendência continuar, dividiríamos por 1,8, totalizando: 5.555.555,56 euros.
- Logo, com 80% do valor em reais devolvidos, já teríamos “sobrando” 317.460,32 euros!!!
Tá, mas e se a empresa que somos CEO for nacional? O cálculo é o mesmo, já que o comércio está tão ou mais interligado que o futebol! A exposição da marca que aliar-se ao jogador terá repercussão internacional, normalmente em medida maior do que o futebol do sujeito devido aos outros patrocinadores (sim, normalmente eles se complementam), videogames, coletivas, vida social, etc!!
Esta combinação de fatores econômicos internos + os fatores econômicos externos + os dois maiores eventos esportivos mundiais sendo realizados no Brasil faz o cenário perfeito para que, ao contrário de épocas anteriores, os recursos direcionados para o Brasil sejam para iniciar projetos de médio prazo, mudando a cara do futebol nacional, fortalecendo o campeonato e aumentando a diferença já existente entre o Brasil e outros países sul-americanos. É uma janela de oportunidade que alguns clubes aproveitarão e outros não. Sim, provavelmente nas próximas 10 Libertadores pelo menos algum time brasileiro estará nas finais a cada ano.
A Europa deixará de contratar jogadores? Não, claro que não. Mas, pelo menos para os craques e neste período, é possível manter atletas de alto nível no Brasil e obtendo retorno do investimento.
Abraço,
Álvaro Ramos Prange
@ramos_alvaro
0 comentários:
Postar um comentário