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sábado, 3 de dezembro de 2011

Não ao jeito brasileiro

Saudações a todos! Cada vez mais estamos respirando ares de Copa do Mundo no Brasil. Estamos entrando em 2012 e parece que vários projetos que levaram o Brasil a ser escolhido como Sede estão com o cronograma ajustado para que estejam prontos antes da competição. Esta semana o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, mandou um recado aos que acham que o Brasil não tem que se sujeitar a todas as imposições da entidade suíça para a realização do evento. Jerome Valcke comentou o seguinte (não literal): A FIFA não deu a Copa ao Brasil, foi o Brasil quem se candidatou, fez seus projetos, prometeu uma estrutura “x” e assim tem que ser.


Nas pleuras!


Algumas pessoas quando opinam acham que o Brasil também não precisa fazer tudo que a FIFA está pedindo, dizendo que são muitas as exigências e inclusive que algumas seriam desnecessárias, que não se aplicariam ao Brasil. Pode ser verdade, pode ser que as exigências sejam demasiadas, que nem tudo aquilo do caderno de encargos seja primordial para a Copa. Mas o ponto em questão é que foi prometido à FIFA uma estrutura tal que fez o Brasil ter a chance de organizar a Copa. Não fosse nada prometido o País sede da Copa do Mundo de 2014 seria outro.


Candidatura aprovada, Copa marcada, mãos à obra! Nossos políticos deveriam observar todos os itens do projeto apresentado, elencar as prioridades e executar as obras. Parece fácil, não? Pois no Brasil não está sendo e certamente todo o prometido não será entregue. E muito provavelmente o que for entregue será em um custo superior ao orçado. Faltando 31 meses para a Copa não temos nenhuma obra de infraestrutura pronta ou quase lá. Os aeroportos são umas rodoviárias melhoradas e com o crescimento econômico veio o aumento do turismo interno, aumento do turismo externo, aumento de congressos internacionais no Brasil entre outros e, achar um hotel no Rio de Janeiro, por exemplo, é uma tarefa difícil.


Realizar um evento de classe mundial sempre deixa consequências, sejam elas boas ou ruins. O País que ganhou a disputa para promover o mundial deve entender isto como uma possibilidade de atrair investimentos, pessoas, cultura, e tudo mais que puder para melhorar o bem estar de quem vive no País. Quando o Brasil ganhou a candidatura era isso que escutávamos, das possibilidades que se abririam com a Copa. Agora, após alguns anos do anúncio a conversa é a da necessidade de fazer tudo. Pelo andar dos acontecimentos, mais um ano e meio e tentarão acusar a FIFA de ser muito exigente, de estar atrapalhando as obras. O mundial no Brasil está se encaminhando mais para ser parecido com a Copa da África, que foi boa, mas deixou a desejar em diversos pontos, principalmente do lado de fora dos estádios, e gastando muito mais que os africanos do que para a Copa da Alemanha, onde ainda hoje toda a estrutura é aproveitada e os custos das obras de estádios e infraestrutura foram mais aceitáveis.


Importante frisar: o Brasil não está fazendo um favor a ninguém em organizar o mundial de futebol, muito pelo contrário. Organizar a Copa é uma oportunidade que pelo excelente projeto apresentado foi-nos dada. Não temos que nos queixar de ninguém e sim cumprir com o que prometemos ao entregar o projeto à FIFA. Ou corremos o risco de mais uma vez sermos o país do jeitinho, o país que vai resolver tudo à última hora, da sua maneira, não importando o custo financeiro e nem se ficará algum legado à sua população.


Abraços,


Álvaro Ramos Prange


@ramos_alvaro


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