Muito se fala sobre impacto econômico em competições esportivas pelo mundo afora; e depois que o Rio de Janeiro foi eleito como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2016, diversos estudos foram e estão sendo feitos acerca deste tema. Mas o que realmente nos diz um estudo de impacto econômico?
O impacto econômico demonstra que, com certa quantia gasta em determinados segmentos produtivos a repercussão financeira será de X em determnados setores da sociedade. Com isso, é possível estimar o quanto que o governo brasileiro, maior investidor de recursos financeiros para a Copa 2014, vai recuperar ao longo dos anos. Também é importante lembrar que alguns dos investimentos para um evento dessa magnitude já estavam programados ou pensados, mas são antecipados a fim de realizar o melhor evento possível.
Tomemos por exemplo o estudo de impacto econômico feito pelo Ministério do Esporte brasileiro e apresentado em 23 de abril de 2010 pelo então Ministro, o Sr. Orlando Silva. Segundo o estudo, seria investido diretamente no Brasil para a realização da competição a quantia de R$ 47,5 bilhões em infraestrutura, turismo e consumo e o impacto econômico indireto chegaria aos R$ 135,7 bilhões.
O impacto direto é resultado do desdobramento dos investimentos das intervenções e do número de turistas que virão ao evento. Os setores avaliados foram:
· Estádios
· Aeroportos
· Mobilidade
· Portos
· Saúde
· Hotelaria
· TI
· Segurança
· Turismo nacional e internacional
O impacto indireto é resultado da “recirculação” do dinheiro na economia e calculado pelos efeitos multiplicadores atribuídos para cada macro setor (infraestrutura, consumo, turismo, etc.).
Neste mesmo estudo foi calculado que 78% do total dos investimentos em infraestrutura, ou R$ 25,8 bilhões, para a Copa 2014 serão efetuados pelo setor público. Mas, até 2014 o Governo Federal arrecadaria R$ 17 bilhões, perfazendo 66% dos gastos governamentais. Destaco ainda esta relação apresentada no estudo: 15 novos empregos para cada R$ 1 milhão de impacto direto.
Para organizar a Copa do Mundo 2014 alguns benefícios são tangíveis e mensuráveis, como o aumento do consumo das famílias que tiveram receitas adicionais a partir do evento, impactos gerados pelos visitantes que estarão no Brasil e principalmente os relacionados com as despesas para a realização do evento. Os benefícios intangíveis são relativo à marca Brasil, influenciando principalmente o turismo, mas repercutindo em outras áreas também.
Mesmo com o estudo de impacto sendo positivo, gerando emprego, demonstrando que o investimento do governo é aceitável, já que recuperará a maior parte em impostos criados pelas atividades derivadas do esforço de organizar o evento, quer dizer que será um bom negócio?
Não, claro que não. O que importa é a administração e acompanhamento dos recursos pelo tempo da organização. Certamente o cenário do estudo foi um diferente do atual em que estamos. Já temos outra realidade. A Lei da Copa foi aprovada de maneira diferente do que se pressupunha na época do estudo. Alguns estádios pararam obras e somente por isso já custam mais do que o orçado. Muitas coisas estão diferentes do planejado, infelizmente. Isso inviabiliza um estudo de impacto econômico? Não, mas o seu acompanhamento e modificações pertinentes a cada mudança de cenário é tão importante quanto o estudo em si e, para isso, creio que o Brasil ainda não está preparado. Não vejo o Ministério do Trabalho, envolvido em tantos processos e acusações, com capacidade para fazer esse acompanhamento, gerir os recursos, reordenar os processos, redefinir ações e encaminhar a Copa para o que foi planejado no estudo.
Esse é um problema crônico brasileiro: sabemos o que temos que fazer, o tempo que temos que fazer, os recursos que vamos utilizar, que pessoas vamos envolver, mas, por algum mistério, deixamos para tomar as decisões no último instante; preferimos ir com calma no início e correr ao final, já que no fim, “tudo dará certo”.
Abraço,
Álvaro Ramos Prange
@ramos_alvaro
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Impacto econômico de grandes eventos
Posted by José Carlos Ribeiro Junior on 13:29. Álvaro Ramos,Colunas,Home - No comments
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